UMA REFLEXÃO A RESPEITO DA RELAÇÃO ENTRE PREÇO E QUALIDADE
Algum tempo
atrás comentamos aqui no Blog sobre algumas mudanças que temos observado no
perfil dos consumidores. A conclusão mais clara à qual chegamos na ocasião foi
a de que estão todos mais exigentes e criteriosos quando o assunto é adquirir
bens ou contratar serviços.
Na hora de
escolher, uma série de indicadores são levados em conta. Mesmo que de modo
intuitivo, cada pessoa tem uma espécie de matriz mental de decisão que a ajuda
a comparar as várias opções disponíveis em cada mercado.
Estar atento
a isso e saber reconhecer quais são os fatores que determinam as opções dos
consumidores é crucial para que o prestador de serviço consiga atrair, reter e
fidelizar mais clientes.
Entender melhor
a forma como pensa quem consome os serviços que prestamos ajuda-nos a construir
as estratégias do nosso negócio.
Inegavelmente,
as pessoas estarão sempre mais interessadas em consumir aquilo pelo que tenham
de pagar menos em troca da melhor experiência que lhe seja possível obter, seja
em que área for. Em outras palavras, estão todos em busca da relação mais
favorável entre o custo a ser suportado e o benefício de que se poderá
usufruir.
A percepção dessas
relações que se estabelecem entre custo e benefício pode variar muito, na exata
medida em que as pessoas também são diferentes entre si. Mas apesar do amplo
leque de fatores que influenciam a percepção que se tem sobre como custo e
benefício se equilibram, não há dúvidas de que, ao final, tudo converge para a escolha
do melhor balanço entre os dois elementos centrais dessa história: preço e qualidade.
A importância
da relação entre esses dois fatores é especialmente percebida quando a decisão de
consumo está relacionada a serviços já bastante padronizados e fortemente
regulados, como é o caso dos serviços prestados pelos provedores de acesso à
internet.
Diante dessa
realidade, percebe-se que, para garantirem espaço e participação relevante no
mercado em que atuam, os provedores de acesso à internet precisam ter sempre
muita clareza em relação ao quanto deverão investir para que o serviço que
oferecido tenha sempre qualidade adequada e preço justo. Digo isso porque o
valor investido será sempre um dos insumos mais determinantes para a formação
do preço final do serviço oferecido.
Aprofundando
um pouco mais esse assunto, podemos dizer com segurança que o preço cobrado por
um provedor de acesso à internet pelos serviços que presta carrega em sua
formação pelo menos os investimentos feitos com os seguintes componentes: (i)
equipamentos instalados, incluindo as manutenções, sejam preventivas,
corretivas, regulares ou eventuais; (ii) salários e bonificações pagas aos
profissionais contratados; (iii) investimentos em formação, desenvolvimento,
capacitação e certificação de colaboradores; (iv) custeio das atividades
administrativas; (v) divulgação; e (v) tributos diversos.
Assim,
tomando como referência os equipamentos utilizados e o pessoal empregado na
prestação dos serviços, é certo dizer que quanto mais modernos e eficientes
forem os primeiros e quanto mais qualificada for a equipe de colaboradores, melhor
será o serviço prestado.
Por outro lado,
como isso custa caro, inevitavelmente o custo será repassado para os clientes.
Se
considerarmos um cenário hipotético ideal, o consumidor dos serviços oferecidos
pelo provedor de acesso à internet sempre escolherá usufruir permanentemente
das tecnologias mais avançadas disponíveis no mercado a cada momento e ser
atendido pelos profissionais que dominem tudo o que estiver na última fronteira
do conhecimento tecnológico.
Ocorre,
entretanto, que nem sempre esse mesmo consumidor que deseja ter acesso a tecnologia
de ponta está disposto ou tem condições de pagar por serviços que, a todo
instante, tocam a fronteira de tudo o que há de mais avançado e atual.
Nessa hora,
cada um avalia suas necessidades, seus limites e suas possibilidades para
chegar ao tipo de serviço que reponde do modo mais efetivo àquilo de que
precisa.
De certa
forma, é como se o grande grupo consumidor de serviços de acesso à internet
pudesse ser dividido em subgrupos menores, identificados exatamente a partir do
reconhecimento de que as necessidades existentes precisam ser contrapostas às
possibilidades e às limitações de cada um. De modo mais direto, podemos dizer
que aquilo que se quer nem sempre é o que se pode ter.
Assim, acabam
sendo formados pequenos nichos de consumo dentro do nicho principal de
consumidores de serviços de acesso à internet.
Vale destacar
que esses pequenos nichos, conforme denominamos, são, em si mesmos, segmentos
de mercado específicos a serem atendidos.
Em outras
palavras, ao montar seus planos de negócio, ao planejar sua forma de atuação,
ao adquirir seus equipamentos e ao contratar, treinar, capacitar e certificar
seus colaboradores, o provedor de acesso à internet precisa ter clareza quanto
a qual ou quais segmentos de mercado estará/estarão dentro do escopo de sua
atuação.
Dessa forma,
retomando nossa questão inicial sobre o que afetaria mais a escolha do cliente
– se preço ou qualidade – podemos chegar a algumas inferências.
A primeira
delas é que a faixa de preços que interessa ao consumidor está sempre
relacionada às características buscadas no serviço contratado – que deve
atender à demanda específica do cliente – e às possibilidades e limitações
financeiras de cada um.
Em segundo
lugar, é preciso ter em mente que, no tocante à qualidade, dificilmente haverá
quem abra mão da excelência no serviço prestado. Mas aqui há uma consideração
importante a ser feita: a excelência buscada é aquela que traga a resposta
perfeita às necessidades individuais específicas (sempre diferentes de um nicho
para outro).
Por exemplo,
embora um cliente familiar certamente exija do provedor de acesso à internet o
máximo de qualidade na prestação do serviço contratado, suas necessidades nem
de longe serão comparáveis à demanda de um cliente corporativo de grande porte.
Com isso
quero dizer que o nível máximo de qualidade na prestação de um serviço pode ser
obtido com entregas bastante diferentes entre si.
Em síntese, o
atendimento de qualidade se caracteriza pela capacidade de o provedor de acesso
à internet oferecer serviços diferentes a seus clientes, na exata medida da
diferença de suas necessidades.
Quanto ao
preço, para que seja justo, ele deverá ser proporcional aos recursos carreados
pelo provedor em cada caso.
E você? Já
definiu em qual ou quais dos nichos específicos do mercado vai concentrar sua
atuação? Se ainda não fez isso, faça, porque ser assertivo nesse ponto é fundamental
para que a identidade se sua marca ganhe cada vez mais força e reconhecimento
entre os clientes.
Bons
negócios!

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